Quanto cobrar por troca de tela: como formar preço sem trabalhar de graça
A maioria dos técnicos forma preço olhando o que o concorrente cobra. É o jeito mais rápido de trabalhar muito e não sobrar nada — porque o concorrente também está chutando.
A conta que funciona
Preço final = peça + tempo + garantia + margem.
1. Peça
O custo real, incluindo frete e o que você paga por peça ruim que chega quebrada. Se de cada 10 telas uma vem com defeito, o custo real de cada uma é 10% maior que a nota.
2. Tempo
Defina quanto vale a sua hora de bancada e multiplique pelo tempo do serviço. Se você quer tirar R$ 5.000 por mês trabalhando 160 horas úteis de bancada, sua hora vale por volta de R$ 31 — e uma troca de tela de 40 minutos carrega uns R$ 21 de mão de obra.
Coloque o tempo real: abrir, limpar, colar, testar, montar de novo. Não é só o minuto do reparo em si.
3. Garantia
Uma parte dos serviços volta. Se 5% das telas retornam e você refaz sem cobrar, esse custo precisa estar embutido no preço de todas — senão as que voltam comem o lucro das que não voltam.
4. Margem
É o que paga aluguel, energia, o seu tempo fora da bancada e a reserva para comprar peça. Sem margem, você tem um emprego mal pago disfarçado de negócio.
Um exemplo com números
Tela custa R$ 180 com frete. Tempo de 40 minutos a R$ 31/hora dá R$ 21. Garantia a 5% sobre o custo da peça dá R$ 9. Somando o custo direto: R$ 210.
Com margem de 40%, o preço fica em torno de R$ 294. Se o mercado da sua região paga R$ 250, você tem três saídas: negociar peça mais barata, ganhar velocidade, ou aceitar margem menor sabendo o que está fazendo — que é bem diferente de descobrir no fim do mês.
Erros comuns de precificação
- Esquecer o próprio tempo. "Cobrei R$ 250 numa peça de R$ 180, lucrei R$ 70" ignora que você trabalhou 40 minutos.
- Cobrar igual para peça original e paralela. São custos diferentes e experiências diferentes. Ofereça as duas com preços distintos e deixe o cliente escolher.
- Dar desconto sem critério. Desconto sai da margem, não do custo. Cinco descontos no mês podem zerar o lucro da semana.
- Não cobrar orçamento. Diagnóstico dá trabalho. Cobre e abata do serviço se o cliente fechar — assim você filtra quem só quer saber o preço.
Como saber se está funcionando
No fim do mês, compare o que entrou com o que saiu em peça. Se a diferença não cobre suas contas mais o seu pró-labore, o preço está errado, não o volume.
E para saber isso você precisa ter registrado cada serviço com o custo da peça. É a única forma de descobrir que o modelo X dá lucro e o modelo Y dá prejuízo — coisa que a memória nunca conta certo.
Toca uma assistência técnica?
O Controle de Bancada põe ordem de serviço, peças, caixa e clientes no mesmo lugar. Você registra a entrada do aparelho uma vez e o resto se organiza sozinho.
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