Controle de caixa para assistência técnica: como saber se está lucrando de verdade
A conta que quase toda assistência faz é: entrou R$ 12.000, comprei R$ 5.000 de peça, então lucrei R$ 7.000. Está errada, e o erro custa caro porque só aparece quando falta dinheiro para repor estoque.
O primeiro passo é separar as contas
Enquanto o dinheiro da loja e o seu estiverem no mesmo lugar, nenhum controle funciona. Conta jurídica, mesmo de MEI, resolve. Você tira um pró-labore fixo por mês — e esse valor é custo da loja, não sobra.
O que registrar todo dia
Não precisa ser complexo. Precisa ser todo dia.
- Entradas, com o serviço e a forma de pagamento
- Saídas, separando peça, custo fixo e retirada
- Fiado e a receber, que é entrada que ainda não aconteceu
- Peça comprada para estoque, que sai do caixa mas vira produto na gaveta
O que mata o controle não é a falta de sistema: é deixar para lançar depois. Uma semana sem lançar e você não lembra mais.
Faturamento não é lucro
Para saber o que sobrou de verdade, tire do faturamento:
- Custo das peças usadas nos serviços do mês
- Aluguel, energia, internet, telefone
- Taxa de máquina e de gateway de pagamento
- Seu pró-labore e o de funcionário, se tiver
- Impostos
- Retrabalho de garantia — serviço refeito sem receber
O que sobra é o lucro. Normalmente é bem menos do que a conta de cabeça sugeria.
Os três erros mais comuns
Contar peça comprada como despesa do mês
Se você comprou R$ 3.000 de tela e usou R$ 800, sua despesa do mês foi R$ 800. Os outros R$ 2.200 viraram estoque — continuam sendo seu dinheiro, só que em forma de peça.
Esquecer o dinheiro a receber
Fiado, cartão parcelado e aparelho entregue com pagamento combinado depois são receita que ainda não entrou. Se você conta como caixa, acha que tem dinheiro que não tem.
Não separar por tipo de serviço
Sem separar, você não descobre que a troca de tela de um modelo específico dá prejuízo. Com o controle por serviço, isso aparece em um mês.
Os números que valem acompanhar
- Faturamento do mês e comparação com o anterior
- Custo de peça sobre o faturamento — se passar de 50%, o preço está errado
- Ticket médio, que é o faturamento dividido pelo número de serviços
- Serviços por dia, que mostra se o problema é volume ou preço
- Retorno de garantia, que é custo escondido
Como começar hoje
Se você não controla nada, comece pelo mais simples: anote toda entrada e toda saída, todo dia, em qualquer lugar. Um mês disso já mostra coisa que você não sabia.
Depois refine: separe peça de custo fixo, e serviço por tipo. É aí que aparece onde está o dinheiro — e onde ele está indo embora.
Toca uma assistência técnica?
O Controle de Bancada põe ordem de serviço, peças, caixa e clientes no mesmo lugar. Você registra a entrada do aparelho uma vez e o resto se organiza sozinho.
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